Jogue-se na vida

Mudar nem sempre é desperdício de tempo e energia, se você souber aproveitar o que aprendeu até aqui.

Sabe aquela liberdade que vem do simples fato de ser quem você é, com todos os defeitos e qualidades que o tornam tão singular? Ela tem tudo a ver com assumir as rédeas de sua vida e compreende que você é o único responsável por suas escolhas, sendo elas bem-sucedidas ou não. Sabe o que é ser protagonista da sua história, ao invés de ser simples coadjuvante na vida dos outros? Sabe o que é remar contra a maré, ir na direção contrária à da boiada? Não sabe do que estou falando? Hora de refletir sobre o impacto do ponto de vistas dos outros nas suas escolhas.

Confesse: Às vezes, você tem você tem vontade de comer hambúrguer com as mãos, mas não o faz porque estão todos comendo com talheres? Você já esteve em um relacionamento desgastado e demorou a se separar por causa do que os outros iriam pensar?  Você queria ser músico, mas sua família de advogados tanto insistiu que o fez desistir desta “besteira” e estudou Direito para ganhar um dinheiro decente?

Enfim, isso acontece todos os dias, de diversas formas. A vontade dos outros muitas vezes se sobrepõe à nossa própria e contrariar o senso comum não é das tarefas mais fáceis. Pelo contrário, exige muita energia, determinação e maturidade.

Eu sei como é, também já passei muitas vezes por isso. Gostaria de compartilhar uma decisão profissional que, por muito tempo, atormentou a minha vida.

Eu me formei em Nutrição (surpresa!) e, depois de um tempo, resolvi fazer MBA em Marketing. Quando concluí o curso, queria uma oportunidade nessa área. Ora pois, sabe o que eu ouvia? “Mas por que Marketing, se tu fez Nutrição”?

Essas pessoas não queriam o meu mal. Sei que é comum olharem torto a tudo que foge do padrão e a Neurociência explica por que. Nosso cérebro é hábil em reconhecer padrões e aquilo que não é reconhecido entra para uma caixa de dúvidas e incertezas ou – pior – não entra em caixa nenhuma.

Buscamos constantemente, inconscientemente, por um padrão cerebral que nos dê conforto e bem-estar. Deve ser por isso que Caetano diz que “Narciso acha feio o que não é espelho…”

Mas eu, não. Eu não podia aceitar que uma carreira impossibilitasse a outra. Afinal todo o investimento que fiz em Nutrição, contrariando, inclusive, a vontade da minha família, não poderia ser desperdiçado.

O final da história? A minha “loucura” rendeu um emprego no departamento de Marketing e Comércio Internacional de uma empresa de alimentos, na França.

Mas o melhor dessa história não foi provar que eu podia ser muito boa em Marketing, mesmo sendo nutricionista, e sim, poder ajudar muitas pessoas a perceberem que nada, na nossa história de vida, precisa ser desprezado.

Para você ver que a coragem de mudar pode ser bem recompensada, aí vai outro exemplo, retirado de uma entrevista com Joi Ito, que é o diretor do Media Lab, do MIT.

Ao ser perguntado o que a experiência como DJ havia lhe ensinado, Ito respondeu:“gerenciar a comunidade e manter o fluxo de energia em movimento são habilidades de DJ que uso diariamente no Media Lab”.

Bingo! Ito percebeu que todo conhecimento, experiência, episódio ruim ou preferência podem se tornar insumo do seu sucesso, se você puder extrair deles as melhores lições e transformá-las em vantagem competitiva.

Como ele, você também pode cruzar habilidades e competências de um ambiente para outro. Essa transdisciplinaridade fará de você um profissional mais completo, mais criativo e com maior capacidade de solucionar problemas.

É claro que escolhas envolvem certo risco. Por isso, eu sugiro três pontos fundamentais para distinguir a “loucura do bem” da “teimosia do mal”:

– Autonomia: Você depende de alguém? Alguém depende de você? Como minimizar o impacto dessas variáveis?

– Resiliência:Quanto tempo você leva para se recompor dos baques da vida? Você é do tipo que segura a onda das incertezas de um novo contexto?

– Persistência: Por quanto tempo você se permite insistir em uma ideia? Vale estipular prazos e limites para a perseverança, antes que ela beire a imprudência.

Se, depois dessa análise, você sente que não está preparado para um passo tão radical, procure formas de flexibilizar a vida que você tem hoje. Sempre é possível ter mais satisfação, fazendo pequenos ajustes no cotidiano e se planejando para o futuro ideal.

No entanto, se você vê condições de testar novos caminhos, não tenha medo de fugir do convencional e se jogar na vida, sem medo, sem vergonha, deixando de lado o óbvio que o coletivo tenta impor. Busque aquilo que faz seu coração cantar e seja feliz!

Palavras-chave: sucesso, mudança, carreira, atitude.

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